Afinal, quem tem razão, Emicida ou Djonga? Ir ou não ir aos protestos?

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Simony Maiahttps://www.thehypestuff.com/
Estudante de jornalismo. Apaixonada pela cultura urbana e fotografia.

No último domingo (7) compareceram aos protestos a favor da democracia e contra o racismo grandes nomes do rap nacional como Mano Brown, Djonga, Thaíde, Dexter, Sidoka, entre outros que estiveram presente nos atos da última semana. Porém, com toda certeza, quem não estava lá era Emicida, que revelou recentemente o seu motivo de não comparecer nas manifestações causando uma dicotomia com o pensamento de rappers como Djonga – que compartilhou com os seguidores que iria. Mas afinal, quem tem razão, Emicida ou Djonga? Ir ou não ir aos protestos?

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Do ponto de vista de Emicida

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Antes de falarmos quem está certo ou quem está errado, é preciso lembrar que vivemos em uma sociedade polarizada, onde pessoas que apoiam a mesma luta que você, podem divergir de suas opiniões. Os indivíduos não concordam e não precisam concordar o tempo todo, apenas é necessário que haja respeito de ambas partes para que o proposito não seja perdido.

Recentemente, Emicida publicou alguns stories falando sobre as manifestações e revelou aos fãs que não iria comparecer, pois acreditava que não havia organização suficiente dos grupos, além de alertar sobre os perigos do contágio do novo Coronavírus. O rapper comentou falas de infectologistas e disse que ir aos atos seria fazer parte da “necropolítica” do Estado.

Emicida também deixou claro para quem quisesse ir aos atos que seria necessário tomar muito cuidado, além de relembrar o que aconteceu em junho de 2013, que de certa forma trouxe o país ao rumo atual.

Você pode assistir a fala completa do rapper abaixo.

 

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O rapper explica o motivo de sua ausência e pede a atenção do público.

Uma publicação compartilhada por The Hype Stuff (@thehypestuffbr) em

Mas como vivemos em uma sociedade divergente, é claro que o ponto de vista de Emicida iria desagradar muita gente. Inclusive, a usuária do Twitter, Sabrina Aquino, que achou que faltava um pouco de conhecimento do rapper sobre Rosa Luxemburgo.

“Se Emicida tivesse lido “Greve de massas” de Rosa Luxemburgo não teria feito esse vídeo. O povo não está organizado. Sim, mas devolvo a provocação: nos EUA o povo está organizado? Nós da esquerda não temos q temer as massas revoltosas pq elas SABEM das suas necessidades concretas “, escreveu ela no Twitter.

Sabrina Aquino, que mandou Emicida ler, excluiu os tuítes, mas deixou uma explicação após receber uma enxurrada de críticas.

Em contrapartida, o rapper não ficou calado e explicou para Aquino que ela estava compartilhando um esteriótipo racista de que pessoas negras são menos cultas do que as brancas.

O pensamento de Djonga

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O rapper mineiro Djonga também discordou de Emicida, mas sem faltar com respeito e entendendo o ponto de vista contrário. Em um texto publicado em suas redes sociais, Djonga comentou sobre a importância de ir as ruas em um momento como este. Além de frisar sobre as mortes dos povos pretos e do rumo que está tomando a democracia no país.

Leia abaixo o texto completo do rapper.

Mas afinal, quem está certo, Emicida ou Djonga?

Os dois! Emicida e Djonga lutam pelo mesmo movimento em busca de igualdade e condições melhores de vida para os pretos. Os dois, em suas músicas, falam sobre o racismo, violência e a perspectiva de uma vida melhor.

Emicida além de cantor, é empresário, escritor e é uma das pessoas mais conscientes do Rap brasileiro. Agir com emoção é natural do ser humano, mas ser racional e estudar os prós e contras de uma luta é essencial.

Djonga ensina sobre autoestima para pessoas pretas, fala de sua vivência e de como ele é intenso na forma de agir. O mineiro vem crescendo e se destacando na cena, ampliando a sua mensagem para diversas pessoas.

Tanto a visão de Emicida quanto de Djonga são válidas, o país está vivendo um momento delicado e qualquer passo em falso pode ser arriscado. Ir as ruas, protestar e lutar por seus direitos não é errado. Ficar em casa, ajudar a divulgar os atos e mudar as suas atitudes diante de situações de injustiça, também é válido.

Mas é preciso ponderar e tomar muito cuidado para que o movimento não seja interpretado errado. Para que não criemos uma nova versão das “Jornadas de Junho de 2013”. Indo ou não aos protestos, se você tem interesse em ajudar, se está disposto a mudar seus hábitos, repreender falas racistas, lutar e apoiar sempre a democracia, e não se abster de votar nas eleições – que é o momento de fazer a sua escolha e ajudar o país a ter um líder que não seja carregado de preconceitos – você já estará fazendo a sua parte nesta luta.

 

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