Uma linha do tempo da exclusão de negros no Grammy

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Simony Maiahttps://www.thehypestuff.com/
Estudante de jornalismo. Apaixonada pela cultura urbana e fotografia.

Em 1998, Lauryn Hill impressionou no Grammy levando o álbum do ano por seu incrível trabalho em The Miseducation of Lauryn Hill. Alguns anos depois foi a vez de OutKast levar a premiação por seu álbum duplo Speakerboxxx/The Love Below. E foi assim que na virada do milênio, a eminência negra foi homenageada pela prestigiada Acadêmia. Infelizmente, esses casos foram raridade, porque dali pra frente a próxima vez em que um artista negro ganhou o Grammy foi em 2008, com Hebier Hancock levando para cas ao prêmio por um álbum de tributo a Joni Mitchell.

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O Grammy desprezou os progenitores pretos perenemente nas quatro grandes categorias desde o seu início. Em um artigo para o Vulture, Rembert Browne argumentou que, para um artista negro conseguir impressionar o alto escalão, eles precisam fazer um álbum da década. As estatísticas não mentem; apenas três mulheres negras receberam o prêmio nas 61 vezes em que foi ao ar, triunfando em categorias específicas de gênero, “racializadas”. A escritora da NPR, Ann Powers, acusou o Grammy de colocar em primeiro plano apenas os maiores artistas negros, excluindo totalmente os novos nomes.

E para comprovar ainda mais isso, e ex-presidente do Grammy, Deborah Duga, ao ser demitida revelou todas as injustiças por trás da grande premiação. Dugan entrou com uma ação, citando especificamente as perdas monumentais que Kendrick Lamar, Kanye West e Beyoncé (entre outras) enfrentaram nas principais categorias como evidência de discriminação racial. O abismo entre esses artistas negros transcendentes e o quadro historicamente branco do Grammy cresce cada vez mais.

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E enquanto aguardamos o próximo evento do dia 26, reunimos algumas das maiores perdas que o Grammy já teve por conta da descriminação racial.

2013: Frank Ocean – “Channel Orange”

Channel Orange ditou grande parte das conversas culturais quando foi lançado em 2012, mas foi tirada de Ocean a conquista daquele ano com uma vitória solitária na ‘categoria dos negros’ – Álbum Contemporâneo Urbano. O clássico atemporal foi superado na noite por Mumford & Sons, no entanto Ocean foi considerado como melhor artista novo pela agora extinta FUN. O álbum do cantor foi um trabalho complexo, mas contínuo, de identidade e angústia adolescente, que perdeu o prêmio para uma banda rústica de folk-lite, batida e composta por homens brancos.

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Getty Images / Kevin Winter

Em uma entrevista do New York Times em 2016, Frank Ocean disse que o Grammy “parece não estar representando muito bem as pessoas que vêm de onde eu venho.”

2014: Kendrick Lamar – ‘Good Kid, m.A.A.d City’

Neste álbum Kendrick, mostrou uma impressionante convergência de sensibilidades de hip-hop com underground e mainstream. O que mais impressionou a Acadêmia, no entanto, foi quando o agora obsoleto Macklemore e Ryan Lewis prevaleceram em todas as categorias de rap, levando também para casa o prêmio de melhor artista novo no lugar de Lamar. Parece que a premiação já deixou claro quem deve ganhar. Eminem acumulando vitórias na categoria Álbum de Rap toda vez que foi nomeado, diz tudo o que você precisa saber sobre como é o hip-hop no coração dos eleitores do Grammy.

2015: Beyoncé – ‘Beyoncé’

A vitória de Beck sobre o álbum auto-intitulado de Beyoncé no Grammy de 2015 realmente nos deixou cambaleando coletivamente, mesmo o falecido Great Prince não podia fingir seu descontentamento. O Grammy justificou a vitória de Beck como único artista, a se destacar em “musicalidade”, sobre um disco imaculadamente produzido com impacto e relevância cultural. Mas quem se lembra dela agora?

2016: Kendrick Lamar – ‘To Pimp a Butterfly’

Na cerimônia de 2016, o álbum pop de Taylor Swift mereceu algum prêmio, mas não o principal da noite. Esse prêmio pertencia a To Pimp a Butterfly de Kendrick. O álbum gerou 11 indicações para Lamar no 58º Grammy, a maior quantidade de indicações para qualquer rapper em uma única noite. Ele foi embora com nenhum dos troféus que realmente importavam.

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Getty Images / Kevin Winter

2017: Beyoncé – ‘Lemonade’

No Grammy Awards de 2017 aparece um grande exemplo do apagamento dos negros. Coloque a mulher negra no palco, mas não a dê os prêmios. Beyoncé foi embora sem vitórias pela polêmica “Formation”.

Adele garantiu a tríplice pela segunda vez em sua carreira e sua breve contestação não conseguiu conter a dor. O fato de uma mulher branca prevalecer mais uma vez sobre a negra digna de derrota é uma imagem gravada para sempre em nossa imaginação coletiva.

2017: Rihanna – ‘ANTI’

Rihanna foi indicada seis vezes ao seu 8º álbum de estúdio, ANTI, o máximo que já havia recebido. A separação de votos com o Lemonade, de Beyoncé, fez com que o Grammy as considerasse duas das artistas negras mais influentes de sua geração indignas dos maiores elogios da noite. Entretanto, Riri também não levou o prêmio da noite.

Imagens Getty / Christopher Polk

2018: Bruno Mars – ’24K Magic’

Bruno Mars, levou alguns prêmios no Grammy de 2018 pelo 24K Magic, ele pode ter quebrado uma série de “brancura” de uma década, mas as seis vitórias de Bruno Mars em um ano em que o hip-hop foi o gênero mais lucrativo, foi o caso da mesma história antiga. A varredura de Bruno, para um registro tão contingente aos sons de seu herói, Prince (que nunca pegou uma estatueta do Grammy), foi apenas mais um tapa na cara.

Mars foi creditado por “reviver” sons retro para uma nova geração, mas realmente, 24K Magic era apenas mais um disco pop acessível e útil.

Getty Images / Jeff Kravitz

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